Numa conversa recentemente com um advogado (por ora não posso citar o seu nome) ele se mostrou muito preocupado por conta do alto custo de seu escritório.

Chamei a sua atenção para o custo fixo e como é fundamental uma atenção especial para este grupo de contas. Fizemos um rápido exercício, somamos os valores dos custos fixos e dividimos pelos dias úteis e com isso foi possível identificar o quanto é devido diariamente ao abrir a porta do escritório, e posso assegurar que o valor é bem significante.

Diante do fato indaguei se havia alguma politica ou estratégia em andamento para a redução dos custos, e a resposta foi: “Redução do quadro de profissionais”.

Nada diferente do que acontece normalmente, mas no meu entendimento, é necessário buscar outras alternativas, afinal de contas, as demissões em regra geram custos (rescisões) e sem mencionar a perca do capital intelectual que certamente precisará ser reposta num momento mais favorável, o que envolverá a seleção de profissionais (apostas), treinamento e o tempo necessário até que este novo profissional produza no nível esperado e gere retorno, ou seja, um custo praticamente imensurável.

Sugeri a redução da estrutura física através do Home Office, ou seja, seria possível focar na redução do aluguel, móveis, investimento em infraestrutura, luz, condomínio e algumas outras despesas e desta forma, os advogados, estagiários e algumas atividades do BackOffice poderiam ser conduzidas nos respectivos lares. Por outro lado, seria necessário possuir um software que permitisse fazer a gestão de forma eficaz e confiável dos prazos e obrigações a distância, mas não somente isso, seria necessário definir o plano estratégico, identificar os riscos e aplicar regras de monitoramento através de uma esteira de produção (workflow). Há um outro aspecto positivo neste modelo que é a de proporcionar aos seus colaborares uma melhor qualidade de vida, uma vez que não seria necessário se arriscarem no trânsito, pegar ônibus e/ou metro lotado para se deslocarem até o ambiente de trabalho e depois de um dia exaustivo regressarem para as suas casas. Por óbvio o escritório manteria uma estrutura mínima para fazer frente a uma eventual necessidade, como por exemplo: sala de reunião e um espaço para a equipe de suporte, mais especificamente para a área financeira, a equipe de cadastro, publicação, pauta e tantas outras poderão atuar em Home Office.

Entendo que esta prática será uma tendência, é só uma questão de tempo, e claro, como sempre, o maior beneficiado será aquele que se preparar primeiro.

A zero de jogo será necessário possuir um software que possibilite a gestão a distância, com suas regras de negócio bem definidas (workflow) e os pontos críticos monitorados adequadamente, e claro, uma equipe com a consciência de que serão cobrados pelos cumpridos dos prazos, elaboração das defesas, respostas aos e-mails e não mais pela carga horária.

Muitas vezes as mudanças geram inseguranças, mas há diversas maneiras para se conduzir de forma segura, tudo é uma questão de analisar as possibilidades, avaliar os riscos e construir uma politica de compliance eficaz.

Aproveito para compartilhar uma matéria divulgada pelo jornal Estado de São Paulo no ano de 2015, observem que já naquela época vem se falando sobre este tema e o cenário nacional contava na ocasião com 12 milhões de pessoas atuando nesta prática e 36% das empresas já aderiram a este modelo.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasileiros-aderem-ao-home-office,1736785

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